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Opinião Curitiba
Desde: 20/03/2009      Publicadas: 5719      Atualização: 25/09/2017

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 Conhecendo o Seu Bairro

  16/12/2015
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Bairro da região Sul pode ganhar modelo inédito de ocupação

Bairro da região Sul pode ganhar modelo inédito de ocupação
Imagine um lugar com moradias para várias faixas de renda, muito espaço para lazer, áreas de circulação exclusivas para pedestres e ciclistas, acessibilidade, creches, escolas, unidade de saúde, liceu de ofício, locais de comércio e serviços, hortas comunitárias, sistema viário inteiramente planejado, transporte coletivo, manejo inteligente dos resíduos sólidos, implantação de um equipamento cultural para valorizar as tradições da região e, para completar, tudo cercado por amplas áreas verdes.

Isso poderá se tornar realidade para cerca de 4.700 famílias, no bairro Campo de Santana, a partir de um projeto proposto pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), num trabalho realizado em parceria com a Cohab. O projeto, inédito no Brasil, baseia-se no conceito de redesenvolvimento urbano, instrumento previsto no texto do novo Plano Diretor de Curitiba. A meta é garantir a ocupação ordenada da região, que é cercada de áreas verdes, garantindo assim a preservação ambiental.

Ele já foi apresentado aos proprietários de áreas na região e tem sido discutido em uma série de reuniões com todos os envolvidos. "Sabemos que é um projeto que foge dos padrões, mas acreditamos em sua viabilidade por se tratar de uma operação que beneficiará a todos: proprietários, moradores, comerciantes, prestadores de serviço, investidores e poder público", afirma o presidente do Ippuc, Sérgio Póvoa Pires.

A área escolhida, localizada na região sul de Curitiba, possui 1.133.255 metros quadrados. Possui maciços florestais que somam 228.229 metros quadrados e trechos banhados pelo rio Barigüi e outros cursos d"água. Na atualidade, o local possui apenas 32 residências, onde vivem cerca de 100 pessoas. Existem somente 4 mil metros quadrados de áreas edificadas, 102 mil metros quadrados dedicados à agricultura e alguns barracões que abrigam olarias, pois a produção cerâmica é a atividade tradicional da região. Com baixíssima densidade habitacional e pertencente a apenas 16 proprietários, a região é ideal para abrigar um projeto de redesenvolvimento urbano " o nome curitibano para reajuste de terrenos, ou land readjustment.

Criado no século 19, na Alemanha, e muito aplicado no Japão e na Colômbia, esse instrumento consiste em reunir os proprietários, que, após abrirem mão de suas áreas originais, veem a região se valorizar em função do novo projeto urbanístico e das benfeitorias. O retorno financeiro para os proprietários pode ocorrer de diversas maneiras: pagamento em dinheiro, recebimento de um ou mais imóveis em troca ou, ainda, a combinação dessas opções.

Fechados os acordos, o território passa a ser reparcelado e reordenado de acordo com o projeto. A área destinada ao redesenvolvimento urbano poderá contar com o trabalho de incorporadores e investidores profissionais. Também existe a possibilidade de os próprios donos da terra se transformarem em investidores. "Experiências internacionais comprovam que, com a valorização das áreas afetadas, todos saem ganhando em função do processo de urbanização, da flexibilização de parâmetros construtivos e da valorização da terra impulsionada pelas benfeitorias", explica a arquiteta do Ippuc Emanoele Leal, uma das coordenadoras técnicas do projeto.

Escolha do local
Três fatores levaram os especialistas do Ippuc a eleger a área no Campo de Santana para a implantação do projeto: poucos proprietários; menos de 1% da área é habitada; e há grande interesse do poder público na conservação ambiental em função das áreas verdes, da proximidade com o Refúgio do Bugio e da presença do rio Barigui. "Se nada for feito, em pouco tempo a região poderá ser descaracterizada e sofrer com ocupações irregulares, invasões e a pressão vinda da região metropolitana. Acreditamos que, com o redesenvolvimento urbano, poderemos adensar a área, conservar o meio ambiente, prover infraestrutura e garantir a valorização imobiliária", aposta o diretor presidente da Cohab, Ubiraci Rodrigues.

Legenda: Dentre os projetos voltados à sustentabilidade no Campo de Santana está a instalação de estações para coleta seletiva e compostagem
  Autor:   NCA Comunicação





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